Como fazer um QSO em CW?

Um pouco dos resultados e andamentos de nossos experimentos…

  

Como fazer um QSO em CW?

Estou escrevendo esse artigo, pois, vejo alguns colegas que tem o domínio da linguagem, mas, não sabem como realizar um QSO em CW, bem como os “procedimentos” mais usuais.  Esse artigo é baseado em vários dos que eu já li, incluindo os de revistas dos anos 70 (época de rádio do meu pai), conversas com antigos radioamadores etc.
Algumas dicas caso você ainda não tenha aprendido a linguagem:
è Treine ouvir primeiro, manipular depois ficará fácil.
è http://lcwo.net/ Este é excelente site para treinar, um dos melhores que já vi.
è Nunca pense em pontos e traços, concentre-se no som.
è Treine ouvir em uma velocidade mais alta. Treine copiar com velocidade próxima de 12ppm (palavras por minuto) porque ao fazer um QSO por volta de 8ppm ficará fácil a cópia.
è Associe o som das letras a alguma palavra. Ex:  R = Ricardi. F= Faculdade etc.
è Caso você ainda não conheça todas as letras do alfabeto em telegrafia, mas conheça boa parte, não se acanhe ao começar a fazer contatos em baixa velocidade, quando aparecer uma letra desconhecida anote utilizando traços e pontos e depois procure em alguma tabela, assim, aos poucos você aprenderá  todas as letras.
è Temos que ter em mente que estamos aprendendo uma nova linguagem e isso requer um pouco de estudo e prática,
Vamos começar, de início temos que saber quem em telegrafia não nos interessa “bater um papo” longo como em alguns modos de fonia, mas sim “chegar lá”. Ou seja, o QSO em CW é simples, mas, requer um pouco de atenção para que facilite a compreensão e transmissão das mensagens. Se conhecermos os “códigos” utilizados facilita o contato para ambas as partes, pois a mensagem fica mais curta e os códigos podem ser repetidos algumas vezes, diferente de uma frase inteira. Dessa forma, segue uma lista com os principais “códigos”:
AR – Fim de mensagem (transmitido emendado  .-.-.)
VA – Fim de contato  (transmitido emendado  …-.-)
K – Câmbio, passando da transmissão para a escuta.
KN – Câmbio, porém indicando que o transmissor está em um QSO, não devendo outra
estação entrar.
BK- Brake, utilizado para passar o câmbio sem mencionar indicativo.
R – Entendido, resposta.
V – Atenção.
DE –  “de quem?” para nós que falamos o português é fácil entender. Não necessariamente transmitido em forma de pergunta.  (Transmitidos como uma palavra normal).
PSE – “Por favor” (transmitidos normalmente).
TNX / TKS – Obrigado (transmitidos normalmente).
FT – Forte (usado antes de 73 somente no Português).
Alguns caracteres especiais mais utilizados:
                É –   ..-..
                –  Travessão:  -…-
                ? –   ..–..
                , – Vírgula: –..–
                . – Ponto final:  .-.-.- (3 vezes a letra “a” emendadas)
Abreviação de números (mais comuns):
1 – A ( .- )
5 – E ( . )
9 – N ( -. )
Com esse pequeno “glossário” acima fazer um QSO fica muito mais fácil.
Em CW, a menor velocidade SEMPRE tem preferência, até por uma questão de cordialidade. Isto é, se você está chamando em 15ppm e algum colega te contesta em 5ppm, você deve responder na menor velocidade, neste caso de contestação (5ppm). De 5 a 8 ppm é a velocidade que iniciantes costumam telegrafar.
Minhas considerações e dicas já foram dadas, agora vou exemplificar um QSO, este padrão não é algo imutável ou os QSOs fora desse padrão estão incorretos, este é só um dos milhares que você pode adotar. Há diferentes padrões pela faixa, porém, com poucas variações. O padrão a seguir é o que eu utilizo para contatos NACIONAIS, tomarei nota ao decorrer do QSO para as diferenças em DX.
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Chamado geral:
CQ CQ CQ DE PU2LGU PU2LGU
CQ CQ CQ DE PU2LGU PU2LGU AR  K
Existem alguns radioamadores que transmitem uma série infindável de CQs, o que eu particularmente não faço (apesar de não ter nada contra), recomendo apenas 3 CQs seguidos de 2 vezes o indicativo repetindo a mensagem 2 vezes por câmbio. Em caso de DX pode se acrescentar DX após o último CQ.
AR, como já vimos, significa: FIM DE TRANSMISSÃO.
K, como já vimos, significa: Câmbio (passo de TX para RX).
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Contestação:
R R R PU2LGU DE PU2XXX PU2XXX  AR  KN
 
A estação que está contestando transmitiu 3 vezes o informando que a estação está respondendo e copiou meu indicativo.
Perceba que há a transmissão do AR com o mesmo significado, porém, agora seguido do KN, informando “câmbio” e pedindo para que ninguém entre a não ser a estação contestada.
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Volta:
R R R PU2XXX PU2XXX DE PU2LGU — BN BN 73 TKS PELA VOLTA — SEU RST RST 599 5NN 5NN — MEU NOME NOME É LEO LEO LEO — QTH QTH É MOGI MOGI SP SP — PU2XXX DE PU2LGU  AR  KN
 
Perceba que o está presente novamente. Transmiti 2 vezes o indicativo do colega para ele verificar se a cópia foi correta. Se o colega que me contestou tivesse errado meu indicativo eu repetiria meu indicativo 4 vezes no meu câmbio, 2 logo após o “DE” de resposta e 2 após o “DE” de passagem de câmbio. Caso seja necessário em velocidade um pouco menor. Existem radioamadores que diminuem a velocidade de transmissão quando estão transmitindo uma informação importante como nome, QTH, RST ou respondendo a uma pergunta.
 O sinal “—” representa o nosso travessão (-…-) e está sendo utilizado para separar as “partes” da mensagem.
Repare que eu inicio cumprimentando o colega com BN (Boa noite, BT e BD também são usuais) e 73 (abraço). Em seguida agradeço a contestação com um: “TKS pela volta”. Em CW entendemos volta e contestação da mesma forma, sem diferença.
Passo agora para as informações, indicando “SEU RST RST”, repito o RST para não haver falhas de cópia quanto ao significado dos números a seguir, ou seja, do que se trata. Transmito uma vez 599 e 2 vezes com o 9 abreviado: 5NN 5NN. Passo para: “MEU NOME NOME” onde repito “NOME” pelo mesmo motivo e repito três vezes meu nome abreviado, pratica comum no CW. Ex: Rodrigo: ROD. Francisco: FRAN. A partir daí vai de sua criatividade. Logo em seguida informo meu QTH nos mesmos padrões do nome e RST. Perceba que todos os dados diferentes foram separados com travessão. Utilizo um último travessão e passo o câmbio da mesma maneira que iniciei, mas, dessa vez não repito o indicativo do colega e uso os códigos AR e KN normalmente.
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Réplica:

 PU2LGU DE PU2XXX — BN BN 73 CARO AMIGO LEO POR MOGI SP — SEU RST RST 599 5NN 5NN — MEU NOME NOME É ROD ROD ROD — QTH QTH É  ARARAS ARARAS SP SP — TKS PELA VOLTA — PU2LGU DE PU2XXX  AR  KN
 
A réplica segue o mesmo padrão, porém, inicia-se o câmbio com um cumprimento direcionado para mostrar que os dados transmitidos forma copiados.
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Caso o colega não tivesse copiado o meu nome, o câmbio ficaria assim:
PU2LGU DE PU2XXX — BN BN 73 CARO AMIGO POR MOGI SP — PSE PSE RPT RPT NOME NOME ?? — SEU RST RST 599 5NN 5NN — MEU NOME NOME É ROD ROD ROD — QTH QTH É ARARAS ARARAS SP SP — TKS PELA VOLTA — PU2LGU DE PU2XXX  AR  KN

Após o pedido para eu repetir meu nome, a estação transmitiu 2 pontos de interrogação, chamando a minha atenção para a “pergunta” em questão e indicando que ele está no aguardo de uma resposta.

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Em DX é comum utilizar, ao invés de “NOME”, o código “OP” de operator sem o “MEU” ou “MY”, simplesmente “OP”. As demais informações permanecem da mesma maneira, mas, sem o uso do É.
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Tréplica:
 PU2XXX DE PU2LGU — OK CARO AMIGO ROD POR ARARAS SP FT 73 — TKS PELO QSO — ATÉ BREVE FT FT 73 73 — VA VA PU2XXX DE PU2LGU  AR  KN
 
            Apenas confirmo as informações e já finalizo o QSO com o VA, porém o KN significa que não dei espaço para a outra estação e irei ouvir mais um câmbio do colega.

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Respondendo o colega a mensagem ficaria assim:

PU2XXX DE PU2LGU —  V V NOME NOME É LEO LEO LEO OK?  BK

Então ele responderia:  BK OK LEO OK  BK

O BK foi utilizado para passar o câmbio de maneira rápida e simples, sem mencionar indicativos. Segue-se o QSO normalmente conforme a tréplica acima.
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PU2LGU DE PU2XXX — OK LEO  TKS PELO QSO — FT FT 73 73 — VA VA PU2LGU DE PU2XXX  AR  K
 
            A finalização é mais ou menos a mesma coisa, porém, não foi transmitindo o KN, deixando espaço para que outra estação chame uma das duas.
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Aqui temos algumas expressões usuais:

– TNX QSO – “Obrigado pelo QSO” utilizado para DX.
– QSL VIA QRZ – Hoje em dia isso é muito comum, pedir o QSL através do site: http://qrz.com/
– PSE PSE RPT RPT algo algo – Pedindo para repetir algo.
– Minha PWR PWR – Minha potência é:
– PWR PWR? – Sua potência?
Espero que o conteúdo seja proveitoso!
73’s and DX’s!
Leonardo G. Canalli – PU2LGU.
http://qrz.com/db/pu2lgu

py2gs

Graduado em Informática para Gestão de Negócios pela Fatec-BS. Pós-graduado em Administração Pública pela UGF. Aposentado do Serviço público Federal, Casado, 2 filhos e uma neta. Mora em Santos Litoral de São Paulo. Radioamador Classe A, prefixo py2gs antigo py2add.

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